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Nossa
Senhora do Perpétuo Socorro
Ha
uma tradição do século
XVI que nos fala de um comerciante da ilha de
Creta, que roubou um quadro milagroso de uma
das igrejas do lugar. Escondeu-o entre suas
mercadorias e viajou para o Ocidente. Foi somente
pela Providência Divina que ele sobreviveu
a uma violenta tempestade e desembarcou em terra
firme. Depois de um ano mais ou menos, chegou
a Roma com seu quadro roubado.
Foi aí que ele adoeceu
mortalmente e procurou um amigo que cuidasse
dele. Estando para morrer, revelou o segredo
do quadro e pediu ao amigo que o devolvesse
a uma igreja. O amigo prometeu realizar o seu
desejo mas, por causa da sua esposa, não
quis desfazer-se de um tão belo tesouro.
O amigo também morreu sem ter cumprido
a promessa.
Por último, a Santíssima
Virgem apareceu a uma menina de seis anos, filha
desta família romana, e mandou-lhe dizer
à mãe e à avó que
o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo
Socorro devia ser colocado na Igreja de São
Mateus Apóstolo, situada entre as basílicas
de Santa Maria Maior e São João
Latrão.
Diz a tradição
que, após muitas dúvidas e dificuldades,
"a mãe obedeceu e, tendo procurado
o sacerdote encarregado da igreja, o quadro
foi colocado na igreja de São Mateus,
no dia 27 de março de 1499". Aí
ela iria ser venerada durante os 300 anos seguintes.
Então começa o segundo estágio
da historia do ícone, e a devoção
a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro começou
a se divulgar em toda a cidade de Roma.
Três
séculos na igreja de São Mateus
A Igreja de S. Mateus não
era grande, mas possuía um inestimável
tesouro que atraía os fiéis:
o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo
Socorro. A igreja era cuidada pelos Agostinianos
irlandeses.
Em Janeiro de 1855, os Missionários
redentoristas adquiriram "Villa Caserta"
em Roma, fazendo dali a Casa Generalícia
da Congregação, que se tinha
espalhado pela Europa ocidental e América
do Norte. Nesta mesma propriedade junto à
Via Merulana, estavam as ruínas da
Igreja e do Convento de São Mateus.
Sem percebê-lo na ocasião, eles
tinham adquirido o terreno que, muitos anos
antes, tinha sido escolhido pela Virgem para
seu santuário entre Santa Maria Maior
e São João de Latrão.
Quatro meses depois, foi
começada a construção
de uma igreja em honra do Santíssimo
Redentor e dedicada a Santo Afonso de Ligório,
fundador da Congregação.
Os Redentoristas estavam
extremamente interessados na história
da sua nova propriedade. Mais ainda, quando,
a 7 de fevereiro de 1863, ficaram intrigados
com os questionamentos de um pregador jesuíta,
Pe. Francesco Blosi, que num sermão
falou de um ícone de Maria que "tinha
estado na Igreja de São Mateus na Via
Merulana e era conhecido como a Virgem de
São Mateus, ou mais corretamente a
Virgem do Perpétuo Socorro".
Os
Redentoristas recebem o ícone
Com esta nova informação,
cresceu entre os Redentoristas o interesse
por saber mais sobre o ícone e por
recuperá-lo para a sua igreja. O Superior
Geral, Pe. Nicholas Mauron, apresentou uma
carta ao Papa Pio IX, na qual ele pedia à
Santa Sé que lhe concedesse o ícone
do Perpétuo Socorro para ser colocado
na recém-construída Igreja do
Santíssimo Redentor e de Santo Afonso,
localizada perto de onde estava a antiga Igreja
de São Mateus.
O Papa concedeu a licença
e no verso da petição, de próprio
punho ele escreveu:
"11 de dezembro
de 1865: O Cardeal Prefeito da Propaganda
chamará o Superior da comunidade de
Santa Maria in Posterula e lhe dirá
que é nosso desejo que a imagem da
Santíssima Virgem, à qual se
refere esta petição, seja de
novo colocada entre São João
e Santa Maria Maior; os Redentoristas vão
substituí-la por um outro quadro adequado."
Conforme a tradição
foi então que o Papa Pio IX disse ao
Superior Geral dos Redentoristas: "Fazei-a
conhecida no mundo inteiro!" Em janeiro
de 1866, os Pes. Michele Marchi e Ernesto
Bresciani foram a Santa Maria in Posterula
receber o quadro dos Agostinianos.
Começou então
o processo de limpeza e restauração
do ícone. A tarefa foi confiada a um
artista polonês, Leopold Nowotny. Finalmente,
no dia 26 de abril de 1866, a imagem era de
novo exposta à veneração
pública na igreja de Santo Afonso na
Via Merulana, sob os cuidados dos Redentoristas
que, se encarregaria de divulgar ao mundo,
a grande virtude maternal da Virgem, o socorro
permanente às nossas vidas.
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